Segurança do paciente em países em desenvolvimento: estimativa retrospectiva da escala e da natureza dos danos a pacientes em hospitais

WILSON, R. M. ; MICHEL, P. ; OLSEN, S. ; GIBBERD, R. W. ; VINCENT, C. ; EL-ASSADY, R. ; RASSLAN, O.
Título original:
Patient safety in developing countries: retrospective estimation of scale and nature of harm to patients in hospital
Resumo:

Objetivo: Avaliar a frequência e a natureza dos eventos adversos em pacientes internados em hospitais selecionados de países em desenvolvimento ou em fase de transição.

Desenho: Revisão retrospectiva de prontuários de pacientes em internações hospitalares ocorridas em oito países no ano de 2005.

Locais: Ministérios da Saúde do Egito, Jordânia, Quênia, Marrocos, Tunísia, Sudão, África do Sul e Iêmen; Regiões Mediterrânea Oriental e Africana (EMRO e AFRO) da Organização Mundial da Saúde (OMS) e Programa de Segurança do Paciente da OMS.

Participantes: Amostra de conveniência de 26 hospitais, dos quais foram selecionados aleatoriamente 15.548 prontuários.

Principais medidas de desfecho: Rastreamento em duas etapas. Rastreamento inicial baseado em 18 critérios explícitos. Os prontuários com rastreamento positivo foram revistos por um médico experiente para determinar o evento adverso, sua evitabilidade e a incapacidade dele resultante.

Resultados: Dentre os 15.548 prontuários revistos, 8,2% apresentaram ao menos um evento adverso, com uma variação de 2,5% a 18,4% entre os países. Desses eventos, 83% foram considerados evitáveis e cerca de 30% estiveram associados à morte do paciente. Aproximadamente 34% dos eventos adversos foram causados por erros terapêuticos em situações clínicas relativamente pouco complexas. O treinamento e a supervisão inadequados dos profissionais clínicos ou a incapacidade de seguir políticas ou protocolos contribuíram para a ocorrência da maioria dos eventos.

Conclusões: O cuidado inseguro representa um perigo grave e expressivo aos pacientes nos hospitais estudados, devendo, portanto, ser considerado um problema de saúde pública de alta prioridade. Muitos outros países em desenvolvimento ou em fase de transição provavelmente apresentarão semelhanças no que diz respeito às taxas de danos sofridos pelos pacientes e aos fatores contribuintes. A amostra de conveniência dos hospitais pode limitar a interpretação dos resultados, mas as taxas identificadas de eventos adversos apresentam uma estimativa que deverá estimular e facilitar a implementação urgente de ações corretivas apropriadas, além de fomentar novas pesquisas. A prevenção dos eventos adversos será complexa e envolverá a melhoria de processos clínicos básicos, não dependendo apenas da provisão de mais recursos.

Resumo Original:

Objective: To assess the frequency and nature of adverse events to patients in selected hospitals in developing or transitional economies.

Design: Retrospective medical record review of hospital admissions during 2005 in eight countries.

Setting: Ministries of Health of Egypt, Jordan, Kenya, Morocco, Tunisia, Sudan, South Africa and Yemen; the World Health Organisation (WHO) Eastern Mediterranean and African Regions (EMRO and AFRO), and WHO Patient Safety.

Participants: Convenience sample of 26 hospitals from which 15.548 patient records were randomly sampled.

Main outcome measures: Two stage screening. Initial screening based on 18 explicit criteria. Records that screened positive were then reviewed by a senior physician for determination of adverse event, its preventability, and the resulting disability.

Results: Of the 15.548 records reviewed, 8.2% showed at least one adverse event, with a range of 2.5% to 18.4% per country. Of these events, 83% were judged to be preventable, while about 30% were associated with death of the patient. About 34% adverse events were from therapeutic errors in relatively non-complex clinical situations. Inadequate training and supervision of clinical staff or the failure to follow policies or protocols contributed to most events.

Conclusions: Unsafe patient care represents a serious and considerable danger to patients in the hospitals that were studied, and hence should be a high priority public health problem. Many other developing and transitional economies will probably share similar rates of harm and similar contributory factors. The convenience sampling of hospitals might limit the interpretation of results, but the identified adverse event rates show an estimate that should stimulate and facilitate the urgent institution of appropriate remedial action and also to trigger more research. Prevention of these adverse events will be complex and involves improving basic clinical processes and does not simply depend on the provision of more resources.

Fonte:
BMJ : British Medical Journal / British Medical Association ; 344(e832): 1-14; 2012. DOI: 10.1136/bmj.e832.
DECS:
Segurança do paciente, dano ao paciente, complicações, cuidados em saúde, assistência à Saúde